Mulheres impulsionam o setor de duas rodas no Brasil, aponta Abraciclo
A participação feminina no universo das duas rodas cresceu de forma consistente no Brasil, tanto na indústria quanto nas ruas. Um levantamento com base em dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e análises da Abraciclo mostra que, entre 2015 e 2024, o número de mulheres nas fábricas do Polo Industrial de Manaus (PIM) mais que dobrou, enquanto a quantidade de condutoras habilitadas para motos avançou 64% na última década.
Mais mulheres nas fábricas de Manaus
Em 2015, havia 1.511 mulheres trabalhando em fabricantes de motocicletas, bicicletas, peças e acessórios no PIM. Em 2024, o total chegou a 3.134 colaboradoras, um crescimento de 107%. Hoje, elas representam 17% da força de trabalho no polo.
No mesmo período, os postos ocupados por homens cresceram 55%, passando de 9.817 para 15.250 trabalhadores.
A Abraciclo destaca que as mulheres já atuam em diferentes áreas das associadas, da linha de produção a posições de liderança. O comunicado também cita histórias que simbolizam essa mudança: Joelma Costa (gestão de pessoas), Rejane da Silva (produção/pintura e processos de acabamento) e Misleide Silva (supervisão fiscal e administrativa).
No recorte de todo o mercado, o setor de duas rodas soma 154.989 profissionais em fábricas, concessionárias, lojas e serviços de manutenção. Desse total, 42.577 (27,5%) são mulheres e 112.412 (72,5%) são homens.
Elas também dominam as ruas: mais de 10,6 milhões habilitadas
Fora da indústria, o crescimento aparece no número de habilitações para motocicletas. Atualmente, 10.605.484 mulheres estão habilitadas na categoria A no Brasil. Apesar de ainda representarem 25% do total de condutores nessa categoria, a presença feminina avançou 64% em dez anos: em 2015, eram 6.461.927.
Entre os homens, o crescimento no mesmo período foi de 35%, passando de 23.058.789 (2015) para 31.233.538 atualmente.
O texto também traz o exemplo de Laura Schneider, que tirou a CNH recentemente, passou a usar a moto no dia a dia e buscou cursos de pilotagem para aprimorar técnica e segurança.
Faixa etária: onde estão as maiores concentrações
A maior concentração de habilitações na categoria A está entre 31 e 40 anos, tanto para mulheres quanto para homens:
- Mulheres: 3.641.174
- Homens: 8.416.289
Na sequência aparece o grupo de 41 a 50 anos:
- Mulheres: 2.563.994
- Homens: 7.569.366
O terceiro lugar muda conforme o gênero:
- Mulheres (26 a 30 anos): 1.584.646
- Homens (51 a 60 anos): 4.749.027
Com esses números, o setor reforça um movimento que já é visível na prática: mais mulheres participando da produção, do mercado e da pilotagem, ocupando espaço com consistência e ampliando a relevância do público feminino no motociclismo brasileiro.

